Volume I: Memórias Ocultas Capítulo IV: Um Mundo no Interior da Caverna
Eles conversaram por apenas alguns breves instantes, e logo definiram o plano. Explicaram também a situação aos jovens membros das famílias e aos guardas que os acompanhavam.
Embora o Rei Dragão Terrano das Chamas possuísse uma força extraordinária, a maior diferença entre as bestas mágicas e os guerreiros humanos era que os humanos compreendiam técnicas e artes marciais, enquanto as bestas, apesar de sua robustez inata, não sabiam manejar o poder espiritual de forma elaborada.
Além disso, as bestas mágicas que ainda não haviam assumido forma humana não possuíam inteligência comparável à dos homens. Bastou um breve momento de reflexão para que Ye Lun e os outros traçassem um plano em seus corações.
Eles, evidentemente, detinham poderes notáveis, e agora, unidos em quatro, sua confiança crescia exponencialmente. Ademais, diante de um tesouro tão cobiçado, quem poderia manter-se impassível? Mesmo uma besta mágica de terceiro estágio arriscaria a vida por tal oportunidade.
— Pois que nos seja permitido provar do poder do Rei Dragão Terrano! — Ye Lun e os outros entreolharam-se, sorrisos entusiásticos iluminando seus rostos enquanto se dirigiam ao dragão.
— Já que desejam a morte, eu mesmo os conduzirei até ela! — O Rei Dragão, ao ver que os humanos não recuavam, exibiu uma expressão cruel. Embora temesse aqueles quatro, não chegava ao ponto de temer de fato; sua natureza selvagem irrompeu com violência.
— Preparem-se para morrer, humanos! — Antes mesmo que Mu Jing e os demais pudessem reagir, o Dragão reuniu todo o seu ímpeto e investiu violentamente contra eles, aumentando sua aura e avançando como uma flecha capaz de romper muralhas.
Ondas de energia espiritual se propagaram, preenchendo todo o espaço com uma pressão invisível e opressora.
— Que criatura monstruosa! — Diante da cena, Ye Lun e os outros sentiram um abalo profundo em seus corações, mobilizando sua energia espiritual e assumindo postura defensiva.
Mu Jing, com um gesto de mão, fez surgir uma vasta luz esverdeada; uma semente caiu de sua palma e, em um instante, cresceu desvairadamente, projetando incontáveis brotos de madeira que se entrelaçaram e avançaram, formando uma barreira defensiva colossal.
Ao lado, Huo Lie cerrou os punhos e, com um brado, viu a cicatriz em seu rosto pulsar violentamente enquanto rugidos leoninos ecoavam. Uma imponente leoa de fogo, envolta em energia espiritual, condensou-se atrás dele, seus olhos fixos e brilhantes encarando o dragão.
Ye Lun e Zhu Zhi também conjuraram suas técnicas. Num estrondo, o Rei Dragão colidiu com violência contra eles, e ondas de energia espiritual se espalharam em círculos, reverberando pelo espaço.
— Agora! — Os jovens de suas famílias, em perfeita sintonia, trocaram olhares e, aproveitando-se do confronto renhido entre os quatro e o dragão, lançaram-se em direção à entrada da caverna atrás da fera, mobilizando sua energia espiritual.
— Bang! Bang! Bang! Bang!... — O som incessante do combate ecoava, e o Rei Dragão, absorto na batalha, não percebeu o desaparecimento dos jovens. Seus olhos injetados de sangue, ele continuava a atacar com ferocidade.
Apesar de dividirem forças com a criatura, Ye Lun e os outros mantinham parte de sua atenção na retaguarda, atentos ao desenrolar dos acontecimentos. Ao verem seus aliados adentrarem a caverna com sucesso, não puderam evitar um suspiro de alívio.
Diante dos que ingressaram, revelou-se uma imensa gruta, de rochas irregulares e caminhos tortuosos, com estalactites pendendo do teto, de onde pingavam gotas d’água puríssimas.
Vias rochosas entrecruzavam-se, conduzindo a aberturas sombrias das quais emanava uma aura intrigante, difícil de conceber como pertencente ao covil de uma besta mágica.
— Iá... Iá... — Sons de choro infantil ecoavam, ora distantes, ora próximos, tornando-se ainda mais melodiosos naquele silêncio, dificultando a identificação de sua origem entre as inúmeras passagens.
Ao ouvirem tais sons, os olhos dos jovens brilharam de excitação, e suas respirações tornaram-se ofegantes.
— Senhores, já que adentramos, cada um empregue seus próprios métodos para obter o tesouro. Os anciãos de nossas famílias travam batalha lá fora, e o Rei Dragão pode invadir a qualquer momento — é preciso agir com rapidez. — A voz era calma, proferida por um jovem do Palácio do Senhor da Cidade.
Este jovem era precisamente Ouyang Tian, o primogênito do Senhor da Cidade de Tianfu, vestido de branco, belo de feições, trazendo às costas uma espada preciosa; sua postura denunciava alguém de habilidades extraordinárias. Era tido como o maior talento de sua geração, e dizia-se que já possuía o cultivo do Estágio de Condensação de Núcleo.
Os demais assentiram discretamente, concordando com suas palavras.
— O que Ouyang diz é sensato. Que cada família siga seu caminho e busque seu próprio destino — declararam, conduzindo seus seguidores a diferentes entradas.
Liderando o clã Ye estava Ye Xing, braço-direito do patriarca, um homem de feições austeras e poucas palavras. Lançou um olhar gélido aos demais e falou:
— Vamos.
Song Shan e outros o seguiram, adentrando a passagem mais próxima.
Por último, entraram os membros da família Huo, guiados por Huo Ling’er, uma mulher de porte voluptuoso e olhar cintilante, cujo semblante transbordava vivacidade. Observando os demais sumirem nas passagens, murmurou:
— Interessante... Um covil de besta mágica tão intricado e complexo... Haverá aqui alguma grande fortuna oculta?
Seus pensamentos aceleraram-lhe o pulso, e suas curvas, agitadas como montanhas ondulantes, eram de admirar.
— Ainda bem que o patriarca me confiou um instrumento de detecção! — Um lampejo astuto brilhou em seu olhar, e um sorriso aflorou-lhe os lábios.
Ela retirou de sua bolsa um artefato em forma de bússola, negro, coberto de intrincados entalhes, com uma agulha prateada no centro, que parecia apontar uma direção...
Com o artefato nas mãos, Huo Ling’er infundiu-lhe energia, caminhando ao longo da caverna. De súbito, seus olhos brilharam radiantes de surpresa: o indicador apontava para uma das entradas, iluminando-se intensamente.
— Vamos, por ali! — exclamou, conduzindo ansiosa seus companheiros àquela passagem.
Enquanto isso, fora da caverna, os quatro ainda se envolviam em batalha incessante, com raios de energia espiritual cruzando o ar. Se alguém observasse atentamente, notaria um lampejo enigmático nos olhos do Rei Dragão, do qual Ye Lun e os demais não se deram conta...
No interior da caverna.
Numa reentrância sombria, Ouyang Tian e os jovens do Palácio exploravam em busca de tesouros.
— Vejam, é um Zhi das Nuvens Púrpuras! — Alguém exclamou, jubiloso.
No meio de uma rocha, uma linhagem de cogumelo espiritual balançava, emitindo luz púrpura, ostentando quatro anéis em seu caule — evidência de seus quatrocentos anos de idade. Um raro elixir de grande valia para cultivadores de técnicas frias, perfeito para alquimia ou avanço de cultivo.
Dizia-se que as ervas espirituais floresciam a cada dez anos, atingindo excelência em cem, perfeição em mil, e transcendência em dez mil, tornando-se objetos de lenda. Mas tais espécimes milenares eram raríssimos; mesmo as centenárias já despertavam cobiça e disputas sangrentas entre cultivadores.
Embora não fossem impossíveis de encontrar, cada planta centenária valia uma fortuna, e uma linhagem de quatrocentos anos, com sua essência de frio, era ainda mais inestimável.
Ao pensar nisso, os olhos de Ouyang Tian brilharam de desejo. Se levasse tal tesouro à família, certamente sua força seria elevada. Mesmo que não servisse aos próprios, poderia ser ofertado a um alquimista em troca de um favor valioso.
— Depressa, guardem-na! — ordenou, mobilizando sua energia e postando-se à entrada, atento aos movimentos de outras famílias.
Em outras passagens, inúmeras ervas raras também eram descobertas, e até mesmo o severo Ye Xing esboçava um sorriso de satisfação com a colheita.
— Se conseguirmos levar tudo de volta, a família Ye ascenderá rapidamente e superará as demais, tornando-se dominante em Tianfu. E eu, como artífice desta façanha, terei minha posição consolidada — pensava, tomado de fervor a ponto de tremer levemente.
— Preciso estar atento às demais famílias no retorno... Se há tantas ervas por aqui, será que em todas as cavernas há igual abundância? Melhor sondar discretamente — pensou, refreando a excitação.
— Resta apenas encontrar o material espiritual para o Jovem Mestre. Que estranho... tantas ervas, mas não encontro essa tal Fruta do Espírito Infantil. Que nome curioso. Em minha experiência, surpreende-me não conhecê-la. —
Antes da partida, Ye Lun confiara-lhe esta missão, e Ye Xing, mesmo após refletir, achou-a de difícil execução.
— Rápido, rápido! Guardem tudo, cada planta, cada folha! — ordenou aos guardas, apontando para as ervas na caverna.
— Proibido esconder qualquer erva da família. Quem for apanhado será privado do cultivo e expulso dos Ye. Mas se fizerem tudo corretamente, a recompensa será dobrada! —
Com tal promessa, os guardas se agitaram. Receber o dobro significava duas técnicas marciais de nível amarelo, duas pílulas de concentração espiritual... O ânimo tomou conta, e recolheram as ervas com renovada energia.
Ye Xing, satisfeito com o efeito de suas palavras, sabia que jamais se poderia distribuir tantas pílulas em tempos normais sem arruinar a família. Mas, com tantas ervas raras, tal generosidade era justificável.
Enquanto observava os guardas atarefados, lembrou-se de algo e rapidamente retirou um talismã de comunicação para contatar Ye Qingtian.
— Então? Tudo corre bem? — A voz grave era do patriarca Ye Qingtian.
— Patriarca, uma colheita magnífica! Descobrimos inúmeras ervas raras — como Bambu Celestial de quinhentos anos, Flor do Deus do Fogo de trezentos...
— O quê? É verdade? Tantas assim? — Do outro lado, Qingtian mal conseguia conter a surpresa e a alegria.
— Falta apenas a erva espiritual para o Jovem Mestre. Esta colheita fortalecerá imensamente a família Ye e influenciará nosso futuro. Peço que traga de imediato os melhores especialistas para escoltar a carga... —
Antes que terminasse, Qingtian já concordava.
— Proteja bem as ervas. Será grandemente recompensado por isso, e aumentarei também as recompensas dos guardas — prometeu, mal contendo a euforia.
— Parece que será necessário mobilizar toda a verdadeira força da família Ye. Esta oportunidade definirá nosso destino — murmurou Qingtian, sem hesitar, partindo um antigo pingente de jade em suas mãos.
— Bum! — Um estrondo ecoou, seguido de um suspiro profundo.
— Ai... —
No céu sobre o pátio dos Ye, surgiu um ancião vestido de azul, o rosto sulcado de rugas, mãos ressequidas — mas com um olhar brilhante e penetrante.
— Estará a família Ye diante de uma calamidade? — murmurou o velho, flutuando no vazio.