Capítulo Cinco: Cinco Milhões de Dólares

Kuil Dao yang Dapat Menembus Dimensi Gu Xiayang 2659kata 2026-03-13 14:42:03

— Daozhang, este chá foi preparado para Mark? — A voz rouca e trêmula de Ying Caihong soou.

Ao ouvir isso, Cao Yi lançou um olhar à xícara de chá Biluochun ainda fumegante sobre a mesa de pedra e assentiu:

— Exatamente.

Quando adentrara a cozinha há pouco, ouvira vagamente o som de um automóvel. A julgar pelo isolamento do local, circundado por centenas de metros de floresta, deduzira que o recém-chegado devia ser algum subordinado de Ying Caihong. Por isso, servira uma xícara a mais.

— Isso… como pode ser possível? — O rosto de Ying Caihong, já pálido por anos de sofrimento e doença, empalideceu ainda mais diante da confirmação de Cao Yi. Seu corpo vacilou, e só não tombou ao chão porque se apoiou a tempo na borda da mesa de pedra.

Durante toda a vida, ela zombara das verdadeiras religiões, dedicando-se a cultos hereges e à manipulação das massas. Agora, diante de alguém dotado de autêntico poder religioso, não pôde evitar o temor: se realmente existiam deuses neste mundo, não seria ela julgada, no fim, por suas ações?

— Senhora Ying, tome o chá — convidou Cao Yi, que já se sentara, erguendo a xícara com um sorriso apaziguador.

— Ah… sim, chá — respondeu Ying Caihong, sentando-se com rigidez e levando a xícara trêmula aos lábios.

— Na verdade — Cao Yi tomou um gole, e o sorriso cedeu lugar à gravidade —, no túmulo da Deusa, além da flor do outro lado, há ainda algo aterrador.

— Algo aterrador? — Ying Caihong ergueu os olhos, perplexa.

— Um cadáver milenar — Cao Yi articulou pausadamente cada sílaba.

Antes da partida, o sistema lhe confiara uma missão secundária: subjugar um cadáver milenar. Isso significava que, no túmulo da Deusa, havia grande possibilidade de existir uma criatura dessas — algo que não constava na trama original.

— Um cadáver milenar! — Ying Caihong, tomada de pavor, deixou cair a xícara; chá e folhas escorreram pela pedra.

Qualquer filho da China sabe o que essas quatro palavras representam.

— Um cadáver milenar nasce da concentração de ressentimento e impureza acumulados por séculos; não teme ferimento algum. Uma vez que desperte, mesmo que obtenha a flor do outro lado, será quase impossível sair vivo — advertiu Cao Yi, transmitindo a ela o pouco que sabia sobre tais seres.

— Não teme ferimento algum… — Ying Caihong franziu o cenho, já quase convencida. As demonstrações de precognição e poder sobrenatural de Cao Yi haviam-na conquistado. Sentia-se profundamente insatisfeita ao perceber que sua última esperança se esvaía como espuma.

Lançou um olhar de súplica a Cao Yi, rogando que aquele misterioso Daozhang a auxiliasse.

— Na verdade, mesmo que você não viesse, eu, como sacerdote da tradição Zhengyi, não poderia esperar sentado pelo despertar de um cadáver milenar e deixar que flagelasse o mundo dos vivos — declarou Cao Yi, a voz grave.

Ying Caihong, surpreendida pelo inesperado alívio, deixou transparecer emoção no rosto lívido:

— Excelente! Se conseguirmos a flor do outro lado, pagarei cinco milhões de dólares ao senhor.

Cao Yi sorriu, sem responder.

— Onde fica o salão dos deuses? Gostaria de prestar uma homenagem — disse repentinamente Ying Caihong.

— Por ali — indicou Cao Yi.

— Daozhang, volto em instantes — disse ela, erguendo-se e dirigindo-se ao templo.

Cao Yi observou sua figura afastar-se, achando graça da situação: a sumidade de um culto herege, intimidada por seus poderes sobre-humanos, corria até o salão dos deuses em busca de consolo espiritual. Se o Daozu — supondo que fosse uma entidade consciente — tomasse conhecimento disso, o que pensaria?

Poucos minutos se passaram quando a voz de Yoko soou do lado de fora:

— Mestre venerável, Mark diz que nunca viu um sacerdote taoísta e faz questão de conhecê-lo.

Ao olhar, Cao Yi viu um homem e uma mulher à soleira. A mulher era Yoko, que acabara de sair, trazendo um telefone portátil vermelho, idêntico ao de Ying Caihong. O homem, de estatura mediana e terno impecável, devia ser Mark, o representante da Universal Mining que, na trama original, assinara contrato com Wang Kaixuan e Da Jinya numa cervejaria.

— Onde está a senhora venerável? — Yoko, sem encontrar Ying Caihong, demonstrou surpresa.

— Foi ao salão dos deuses — respondeu Cao Yi displicentemente.

— O quê? A senhora venerável foi homenagear o seu deus? — O espanto de Yoko era patente.

Aos olhos dela e dos demais seguidores, Ying Caihong era uma deidade viva. Para uma deidade viva ir prestar culto a outra num templo… era uma inversão completa de seus paradigmas.

— O Daozu não é um deus qualquer, mas o Caminho em si — corrigiu Cao Yi, esclarecendo um equívoco comum sobre o taoismo.

— Se não é um deus, por que chamam o lugar de salão dos deuses? — Yoko retrucou, pronta.

Que língua afiada, pensou Cao Yi com um sorriso, e explicou:

— Chama-se salão dos deuses por conveniência, para facilitar o entendimento e aceitação do público.

Mas Yoko não se deteve em discussões religiosas enfadonhas e foi direta:

— Durante o tempo em que estive fora, o que conversou com a senhora venerável? Quanto dinheiro lhe extorquiu?

Cao Yi nada disse, apenas ergueu cinco dedos.

— Quinhentos mil dólares? — Yoko semicerrava os olhos, insatisfeita, embora esse fosse o valor sugerido por Ying Caihong antes. Para ela, Cao Yi não passava de um charlatão.

— Cinco milhões de dólares — corrigiu Cao Yi, sereno, como se a quantia fosse mero detalhe.

— O quê? Cinco milhões de dólares?! —

Yoko quase saltou de espanto. A cifra ultrapassava em muito sua capacidade de assimilação.

Cao Yi apenas sorriu e assentiu.

— Seu vigarista! — Os olhos de Yoko ardiam; o telefone vermelho em sua mão rangeu, ameaçando ser arremessado a qualquer instante.

— Foi uma troca de vontades — respondeu Cao Yi, impassível.

Yoko, de natureza explosiva, não pôde mais se conter ao ver Cao Yi sair-se tão bem, e lançou o telefone com força.

Se fosse em seus tempos de homem comum, Cao Yi teria se esquivado. Mas, após a transformação do Elixir Dourado, seu corpo superava em muito o de qualquer mortal. O telefone vermelho voou como uma flecha mas, aos seus olhos, o mundo parecia desacelerar. Com dois dedos, ele prendeu o aparelho no ar, sem esforço.

Nos olhos de Yoko brilhou uma centelha; apoiou-se no chão com ambos os pés e, ágil como uma pantera em caça, lançou-se sobre ele. Iniciou um ataque de karatê — arte marcial nacional do Japão — com uma ferocidade e potência assustadoras. Um lutador comum já teria sido derrotado.

— Uma luta impressionante — elogiou Cao Yi, confiando em sua constituição aprimorada; antecipava cada movimento de Yoko, que jamais o atingia.

Após mais de três minutos de combate, Yoko, exaurida, teve de recuar.

Palmas repentinamente ecoaram.

Ao virar-se, Cao Yi viu Mark, que assistira à cena todo o tempo. O estrangeiro tinha o rosto ruborizado de excitação, claramente um entusiasta de lutas.

— O que significa isso? — irritada por não conseguir vantagem sobre Cao Yi, Yoko voltou-se contra Mark.

— Há muito não via um duelo tão espetacular, especialmente a performance da senhorita Yoko, excelente — Mark não poupou elogios.

Bajulação não é privilégio exclusivo da China!

A expressão de ira de Yoko suavizou-se um pouco.

— Contudo, o sacerdote parece carecer de força; diante dos ataques da senhorita Yoko, sempre recua — acrescentou Mark.

Neste instante, a porta do salão rangeu e Ying Caihong saiu, ouvindo as palavras de Mark. No rosto, formou-se uma expressão singular.