Capítulo 5: O Encontro com o Imortal

Aku Meraih Puncak Kehidupan Lewat Mimpi Setengah Pertapa 3691kata 2026-03-13 14:33:51

O sonho terminava ali.

Chang Yu despertou lentamente, o olhar perdido no teto, absorto em pensamentos. Instantes atrás, ele revivera em sonho os acontecimentos de dois anos atrás. Naquele dia, celebrava seu décimo oitavo aniversário, marcando também sua última jornada no orfanato. À época, era um jovem imerso em devaneios juvenis, ingênuo, convencido de que seria levado pelos míticos “Soldados Celestiais” e, assim, iniciaria uma gloriosa senda de cultivo transcendente.

O desfecho daquilo era previsível. Por um dia inteiro, Chang Yu viveu à mercê da ansiedade, esperando a todo momento pela chegada dos tais soldados celestiais. Mas, para sua frustração e desencanto, após uma longa espera, nada aconteceu. Ao despedir-se dos amigos, carregando sua pequena mochila diante do portão do orfanato, o sonho de cultivar-se como um imortal se despedaçou.

Que soldados celestiais, que métodos de cultivo, que façanhas de mover montanhas e mares—nada disso jamais pertenceria a Chang Yu.

“Lembro-me bem, eu também já tive um sonho de cultivar-me como um imortal.” Ao recordar os episódios constrangedores da juventude, Chang Yu sentiu uma vontade súbita de esconder-se sob as cobertas, tomado pela vergonha.

“O que mudou minha essência, tornando-me alguém obcecado apenas pelo dinheiro?”
“Ah, eu compreendo: é esta realidade cruel, esta vida miserável!”
“Se pudesse cultivar-me como um imortal, quem se importaria em ganhar dinheiro? A imortalidade seria infinitamente mais preciosa!”
“E se dominasse as artes celestiais, enriquecer seria mera questão de tempo!”

Pensando nisso, Chang Yu virou-se na cama e pegou o celular para conferir as horas. Eram apenas duas da madrugada. Tranquilizado, fechou novamente os olhos e mergulhou em sono profundo. Quanto ao sonho de instantes atrás, Chang Yu encarou-o apenas como uma piada. Se nada extraordinário acontecesse, acordaria como sempre, para mais um dia rotineiro e insípido.

Mas o destino, caprichoso, reservava-lhe uma reviravolta. Naquela noite, Chang Yu teve um novo sonho, ao mesmo tempo vívido e estranho.

No sonho, encontrava-se num vale de montanhas serenas, águas cristalinas. O canto dos pássaros preenchia o ar e as árvores, exuberantes, sussurravam sob a brisa suave. Céu azul e nuvens brancas entrelaçavam-se, formando um quadro de beleza pura, sem adornos. Tudo ali lhe transmitia conforto e paz.

“Que lugar belo! Mas não me recordo jamais de ter estado aqui. Onde estou?”—Chang Yu olhava ao redor, perplexo.

“Este é o Vale de Fuling. Certamente é a primeira vez que aqui vens.”
De não muito longe, aproximava-se um velho trajando vestes brancas, o olhar penetrante fixo em Chang Yu. Seus cabelos brancos reluziam, o rosto jovial, traços nítidos—um verdadeiro eremita, dotado de aura sobrenatural. Três mil fios de barba dançavam ao vento, não destoando em nada, antes elevando ainda mais sua figura.

“Vale de Fuling? Nunca ouvi falar.”
Chang Yu buscava em sua memória algum vestígio desse nome, mas não encontrava nada.

Para ele, os vastos domínios da pátria assemelhavam-se a estrelas no céu—numerosos. Era perfeitamente plausível que existisse um vale desconhecido para si.

“Rapaz, deixemos de rodeios.” O velho de branco lançou-lhe um olhar profundo.
“Não importa como conseguiste romper as barreiras do vale e chegar até aqui.”
“Nem quem és, ou se tens inimigos à tua caça.”
“O encontro é obra do destino, vamos direto ao ponto!”
“Vejo que teus ossos são singulares, tua aptidão notável—um excelente candidato ao cultivo imortal.”
“Coincidentemente, minha linhagem carece de herdeiro, e eu me afligia em buscar, fora do vale, alguém apto a receber nossos ensinamentos.”
“Rapaz, pergunto-te: desejas tornar-te meu discípulo, aprender o caminho do cultivo imortal?”

“Queres dizer que és um imortal, e desejas aceitar-me como discípulo, ensinar-me as artes celestiais?” Após ouvir tudo, Chang Yu finalmente compreendeu a situação.

“Exatamente!” O velho assentiu com ares de mestre.

“Será que não é apenas um charlatão?”
Chang Yu circulou o velho de branco, analisando-o de todos os ângulos, olhar repleto de suspeita. Não era mais o jovem ingênuo de outrora; acreditar na existência de habilidades celestiais era tão improvável quanto imaginar uma porca escalando uma árvore.

“Se vens para me extorquir dinheiro, vais te decepcionar.”
Chang Yu ergueu o pescoço, altivo, com a atitude de quem nada teme.
“Saibas, sou um pobre que até pensa em fugir do pagamento da refeição, não tenho dinheiro algum para ti.”

“Besteira!” O velho de branco, irritado, fez sua barba tremer.
“Que tipo de pessoa pensas que sou?”
“Sou um verdadeiro imortal, não um vigarista!”

Ao dizer isso, o velho agitou as longas mangas, e um vendaval irrompeu de seu traje. Pedras e areia levantaram-se, e Chang Yu foi quase derrubado pela força da tempestade.

“Vês? Tornar-te meu discípulo é tua sorte e destino.” O velho falou com orgulho.
“Saibas, muitos desejam seguir-me, mas lhes falta fortuna!”

Diante da cena, Chang Yu tremia de emoção, a dúvida em seus olhos substituída por júbilo. Desde que o velho conjurou o vento com um movimento de mangas, Chang Yu não teve mais dúvidas: aquele ancião era portador de técnicas sobrenaturais.

Em seus quase vinte anos de vida, jamais vira alguém capaz de gerar um vendaval com um simples gesto. Apesar de sua compleição magra, Chang Yu pesava cento e vinte jin. Para quase derrubá-lo, só mesmo um vento de força oitava! E quem pode conjurar tal vendaval, senão um verdadeiro imortal?

“Então... Não vieram os soldados celestiais, mas apareceu um velho imortal?”

Pensando nisso, lágrimas de emoção brotaram dos olhos de Chang Yu. Ele ajoelhou-se diante do velho, agarrando-lhe as pernas, chorando e gritando:

“Imortal! Imortal! Finalmente apareceste! Sabes quanto tempo te esperei?”
O clamor dilacerante ecoava pelo vale, rompendo a serenidade do lugar. Revoadas de pássaros, assustados pelo brado, dispersaram-se, fugindo do centro do tumulto.

“Eu já havia desistido de te procurar, resignado a viver meus dias de sofrimento.”

“Jamais imaginei que aparecesses agora—é verdadeiramente uma bênção dos céus!”
Chang Yu, entre o ressentimento e a alegria, não largava as pernas do velho. Suas lágrimas e ranho manchavam as vestes brancas do ancião, deixando-as sujas.

Ainda que não tivesse recebido os soldados celestiais, ter um velho imortal de barba branca não era uma má troca. Desde a infância, seu maior desejo era encontrar um imortal.

“Rapaz! Por que estás tão exaltado?” O velho, franzindo o cenho, tentava empurrá-lo, mas Chang Yu segurava firme.
“Não manches minhas roupas com teu ranho. Sou um imortal com mania de limpeza!”

“Encontrar um imortal é raro. Se eu te soltar e fugires, quem me dará outro imortal de verdade?” Chang Yu mostrou um semblante lastimoso.

Ninguém poderia compreender o estado de espírito de Chang Yu. Ele agarrava as pernas do velho como se fossem sua tábua de salvação, temendo que, ao soltar-se, o ancião desaparecesse sem deixar vestígios. Temia voltar a ser apenas um jovem comum, levando uma vida insignificante.

“Que maluquice é essa, rapaz?” O velho, já sem paciência, lançou um ultimato.
“Se não soltares, não hesitarei em negar-te como discípulo!”

A ameaça surtiu efeito imediato. Chang Yu, sorrindo constrangido, soltou as pernas do velho de branco. Em seguida, ajoelhou-se diante dele, batendo a cabeça três vezes no chão, com força e urgência, temendo que o ancião mudasse de ideia.

Na pressa, não controlou a força e deixou o rosto marcado por um grande galo, vermelho e azul. Imitando frases dos dramas televisivos, declarou com reverência:

“Mestre venerável, discípulo Chang Yu deseja seguir-vos, escutando vossas instruções a cada momento.
De hoje em diante, se ordenardes que eu vá ao leste, não seguirei ao oeste; se mandardes que eu faça o seco, jamais farei o molhado.
Se pedirdes que eu aqueça vossa cama... também não me oponho.”

O velho, face benevolente, sorriu como uma flor de crisântemo:

“Diante de tanta sinceridade, aceito-te como discípulo, ainda que não tenhas grande valor!”

“Mestre venerável...”
Ao ser aceito, Chang Yu olhou para o velho com olhos de adoração, dominando perfeitamente a arte da bajulação.

“Vamos, o tempo é curto, não desperdicemos palavras. Vou transmitir-te uma técnica através do método de iluminação direta!”
O ancião acariciou a cabeça de Chang Yu, e uma luz leitosa brilhou em sua mão.

“Esta técnica chama-se ‘Coração de Fuling’, exclusiva aos discípulos verdadeiros de nossa linhagem. Possui propriedades mágicas, ideal para alguém com tua aptidão!”

A luz fluía para a mente de Chang Yu, que sentiu uma corrente ardente invadir seu corpo e membros. Simultaneamente, o conhecimento sobre a técnica ‘Coração de Fuling’ gravou-se profundamente em sua memória.

Experiências e entendimentos sobre a arte fundiram-se em sua mente, como se já a tivesse aprendido há muitos anos. Chang Yu sabia, sem hesitar, que tais percepções provinham do próprio ancião.

Agora, tais vivências e compreensões, outrora pertencentes ao velho, eram transmitidas a Chang Yu por meio de um método místico chamado iluminação direta, enquanto ele ainda estava ajoelhado, sem tempo de erguer-se.