Capítulo 7: Ninguém Crê na Verdade
“Como fui tolo, de verdade!” Chang Yu parecia tomado pelo espírito da lamentosa Xianglin Sao, inquieto como uma formiga sobre chapa quente.
“Como pude esquecer de perguntar ao Mestre onde fica o Vale de Fuling?”
“A vastidão das paisagens da nossa pátria é infinita; não posso buscá-lo montanha por montanha, vale por vale, não é?”
“E, o mais importante, se eu quiser aprender as artes imortais, como encontrarei novamente o Mestre?”
Ao chegar a esse pensamento, uma expressão de preocupação sombreou-lhe o rosto.
Será que... a relação de mestre e discípulo entre ele e o Mestre Hao Er estava fadada a findar-se ali?
Mas ele sequer havia aprendido a segunda camada da técnica do Coração de Fuling!
Pensar que talvez passasse o resto da vida estagnado no estágio de Condensação do Qi fazia seu coração contorcer-se como se tivesse engolido fel.
“Esse tal de Vale de Fuling, só pelo nome se vê que não é lugar famoso; encontrá-lo será tarefa das mais árduas.”
“Não é como Huangshan, Taishan ou Huashan, montanhas célebres e de fácil localização.”
“De qualquer forma, já está ficando tarde. Preciso ir ao trabalho—se me atraso, descontam-me do salário.”
Chang Yu pegou o telefone. No visor brilhava a hora: pouco depois das sete da manhã.
Sem tempo sequer para o café da manhã, saiu apressado, temendo o atraso.
Chang Yu considerava-se um homem de grande senso de responsabilidade.
Apesar de agora conhecer técnicas imortais, possuindo capital e capacidade para se sobressair entre os homens, ainda precisava comer.
Sua prática ainda não atingira o ponto de viver em jejum, nutrindo-se apenas do vento do noroeste.
Se não trabalhasse arduamente para ganhar dinheiro, acabaria morrendo de fome?
Definitivamente, não era do tipo dos protagonistas de romances, que ao despertar algum poder logo descontam sua ira no chefe, demitem-se furiosamente e aliviam o peito das frustrações.
Após mais de uma hora circulando no ônibus 89, Chang Yu finalmente chegou pontualmente à empresa.
Avançou a passos largos e velozes da parada até a guarita, sem mostrar qualquer sinal de cansaço—não verteu sequer uma gota de suor.
Lembrava-se bem de como, no dia anterior, percorrera ofegante e exaurido os quinhentos metros até o posto de trabalho.
Hoje, ao sentar-se na guarita, notou que sua fadiga dissipara-se rapidamente—tudo graças ao refinamento físico pelo qual passara.
Sua constituição atual superava em muito a anterior; esse nível de esforço já não era desafio para ele.
Chang Yu suspeitava seriamente de que, com sua força presente, até mesmo uma maratona seria brincadeira de criança.
O portão da empresa, a guarita, o velho Wang Pangzi—tudo lhe era familiar.
O mesmo aroma, a mesma fórmula.
Chang Yu suspirou, sentando-se na guarita, sem ânimo para chá ou comida; o rosto, macilento, transparecia desalento e desamparo.
Era a primeira vez que Wang Pangzi via Chang Yu tão abatido; preocupado, empurrou o desjejum sobre a mesa em sua direção.
— Chang Yu, meu caro, desde cedo está assim, perdido e desorientado... Aconteceu alguma coisa? — indagou Wang Pangzi, solícito.
Chang Yu, diante do café da manhã, não esboçou reação; não sentia o menor apetite.
Vendo-o tão mergulhado em seus pensamentos, Wang Pangzi tocou-lhe levemente o ombro:
— Irmão, se há algo pesando no coração, conte ao velho Wang; talvez eu possa ajudar!
Somente então Chang Yu reagiu, sua respiração tornando-se acelerada; os olhos brilharam ao encarar Wang Pangzi:
— Pode mesmo me ajudar?
— Ora, não subestime este seu irmão mais velho. Embora eu não pareça, tenho meus contatos. Diga logo o que se passa — garantiu Wang Pangzi, batendo no peito.
Wang Pangzi era, afinal, um dos magnatas do círculo dos senhorios de H City; em contatos e capacidade, ultrapassava em muito Chang Yu — talvez pudesse mesmo ajudá-lo.
— Então, irmão Wang, você conhece algum geógrafo que entenda profundamente da geografia e das paisagens da nossa pátria? — perguntou Chang Yu, olhando para ele cheio de esperança.
— Pois... disso não conheço, não — Wang Pangzi coçou a cabeça, sentindo o rosto arder de embaraço.
Mal acabara de garantir que poderia ajudar, e agora era contrariado pelos fatos.
Mas não era culpa sua; geógrafos são acadêmicos, sem ligação com os círculos dos senhorios.
Ainda assim, tentando recuperar a compostura diante de Chang Yu, Wang Pangzi prosseguiu:
— E por que esse súbito interesse em geografia?
Chang Yu, prestes a desabar, tirou um cigarro amarrotado e acendeu, aspirando profundamente:
— Não sei se já ouviu falar de um lugar chamado Vale de Fuling?
Era um cigarro que Wang Pangzi lhe dera no dia anterior, com os caracteres “Zhonghua” impressos em dourado.
Wang Pangzi franziu o cenho:
— Nunca ouvi. Quando jovem, viajei bastante, mas esse Vale de Fuling, confesso, é novidade.
— Nosso país é vasto e rico, com montanhas e vales sem conta; muitos deles só os locais conhecem, e os nomes variam conforme o capricho da gente do lugar.
— Esse Vale de Fuling deve ser um desses casos. Talvez, por ali crescer muito fuling, batizaram o vale com esse nome.
— Sugiro que pesquise na internet se há cadeias de montanhas conhecidas pela produção de fuling; talvez isso ajude.
O conselho era sensato. Já que ambos desconheciam o tal vale, restava apelar para a tecnologia.
Chang Yu apressou-se a pegar o celular e digitou “Vale de Fuling” no Baidu.
O resultado foi, ao mesmo tempo, frustrante e irônico.
A página do Baidu foi inundada de informações sobre o fuling, a erva medicinal, preenchendo toda a tela do telefone.
Diziam que fuling era também chamado Yuling, Fuling, Wanlinggui, Futú, o núcleo seco do fungo Poria cocos, que parasita raízes de pinheiros, de aspecto semelhante à batata-doce.
Havia artigos sobre métodos de eliminar umidade do corpo com fuling, e até manchetes sensacionalistas: “Chocante! Um homem faz coisas incríveis com fuling! Seria a perversão da natureza humana ou a decadência moral?”
De notícias sobre o Vale de Fuling, nem sombra; em compensação, Chang Yu já estava quase um especialista em medicina popular.
— Nada feito; no Baidu, não se encontra nada sobre o Vale de Fuling — lamentou Chang Yu, largando o telefone, decepção estampada no rosto.
— Então não há o que fazer — ponderou Wang Pangzi, coçando o queixo. — A propósito, onde você ouviu falar desse lugar?
— Na verdade, soube dele num sonho — respondeu Chang Yu, sério, sem pensar em ocultar coisa alguma.
Wang Pangzi ficou boquiaberto, os olhos perplexos:
— Num... sonho?
Coisas vistas em sonho servem de referência?
Talvez esse tal de Vale de Fuling sequer exista, pensou Wang Pangzi, fosse apenas fruto da imaginação fértil do rapaz.
A juventude de hoje está cada vez mais criativa; ele, já de meia-idade, sentia-se ultrapassado pelos tempos.
Para não ferir o coração sensível de Chang Yu, Wang Pangzi escolheu as palavras com cuidado:
— Xiao Yu, já pensou que esse Vale de Fuling talvez não exista? Foi apenas um sonho; não se pode tomar como realidade.
— Não! Ele existe, sim! — Chang Yu ergueu o queixo com orgulho, parecendo um galo altivo exibindo as penas.
— E lá, encontrei um verdadeiro imortal! Assim que me viu, segurou minha mão e insistiu para que eu o tomasse por mestre!
Diferente dos protagonistas de romance, sempre ocultando dons e poderes, Chang Yu não pretendia esconder seu segredo e contou toda a verdade a Wang Pangzi.
— Não tive como recusar, nem quis magoá-lo; então, aceitei relutante e passei a aprender as artes imortais sob sua tutela.
— Um... um imortal? Artes imortais? — Wang Pangzi mergulhou novamente em confusão, incapaz de articular as palavras.
Já diziam que Chang Yu era um caso clássico de “síndrome do segundo grau”, mas parecia que isso já não bastava para descrevê-lo — seria loucura?
Wang Pangzi tentou aconselhá-lo com paciência:
— Não há imortais no mundo real, Chang Yu; isto aqui não é uma lenda!
— Meu caro, não imaginei que seu quadro estivesse tão grave.
— Já falou disso para um médico? Eu acho que o melhor seria procurar um especialista em medicina tradicional chinesa; dizem que cura pela raiz!
Chang Yu, percebendo a pena nos olhos e o tom estranho de Wang Pangzi, sentiu-se incomodado.
Era claro que Wang Pangzi não acreditava em suas palavras!
Ora, ele, Chang Yu, era um homem íntegro, incapaz de mentir!
Pelas alturas celestiais, não havia mentido nem uma vez — por que Wang Pangzi não acreditava nele?
— Não estou doente, não preciso de médico nenhum. Wang, você não acredita em mim? — Chang Yu estava realmente inquieto; os olhos arregalados, a respiração pesada.
O suor brotou na testa de Wang Pangzi.
O semblante tenso e o olhar avermelhado de Chang Yu eram mesmo assustadores, fazendo-o tremer.
E, recordando as palavras desconexas do amigo, Wang Pangzi sentiu-se ainda mais seguro de seu diagnóstico:
Sim, o rapaz está mesmo mal.
— Acredito! Claro que acredito! Somos irmãos, não somos? Se não acreditar em você, vou acreditar em quem? — apressou-se a responder, só para acalmá-lo.
— Mas, irmão, escute o conselho deste velho: certas doenças não se curam sozinhas; é por isso que precisamos dos anjos de branco!
— Não pode deixar piorar; devemos tratar logo, para o bem de todos!
Chang Yu: ...
Obrigado, irmão Wang!
O resto do dia, Wang Pangzi permaneceu visivelmente tenso, deixando Chang Yu desconfortável.
Tudo porque Chang Yu, em sua honestidade, contou-lhe a verdade, e acabou sendo tido por doente!
Sempre que seus olhares se cruzavam, Wang Pangzi desviava rapidamente.
Se Chang Yu se aproximava, Wang Pangzi recuava discretamente, como se temesse contágio de alguma enfermidade.
O clima estranho perdurou até o fim do expediente.
Ao entregar o turno aos colegas do plantão noturno, Wang Pangzi fugiu da guarita como um coelho acuado, deixando Chang Yu a sós, confuso sob o vento.
“Nestes tempos, dizer a verdade tornou-se uma tarefa tão difícil...” Chang Yu ergueu os olhos para o céu, sentindo o peito apertado por mil e uma inquietações.