Capítulo 4: O canalha ajoelha-se
Os olhos de Zhong Xiao brilharam instantaneamente; ela apanhou casualmente um dos lingotes de ouro que repousava ali.
O dourado resplandecia com plenitude, o peso era generoso, sólido e denso em sua mão. Zhong Xiao cravou os dentes no tape dourado.
Era ouro verdadeiro!
Incrédula, afagou o lingote com pipeline dos dedos, até que tocou algo irregular e, ao girá-lo, deparou-se com uma inscrição:
[Feito em 10 de março de 1699]
Ano de 1699... Zhong Xiao baixou o olhar. Sim, exatamente como suspeitara—era uma peça dos tempos de Kangxi e Qianlong.
Portanto, o verdadeiro valor desse pingente de jade não residia em sua matéria, mas sim nesse espaço... criado pela consagração do mestre taoísta?
Assim, na vida passada, Zhou Yongxin não obtivera riqueza pela simples venda do pingente, mas por ter, talvez acidentalmente, entrado nesse espaço e descoberto o tesouro oculto?
Zhong Xiao mordeu os lábios, ponderando.
Se neste espaço há ouro, decerto não surgiu do nada; alguém o trouxe para cá. Isso significa que este espaço e o mundo real são de algum modo conectados!
Com essa ideia, Zhong Xiao fechou os olhos para experimentar; de fato, ela enxergava o quarto do mundo real, cada objeto nítido em sua visão.
Fixou o olhar no pingente sobre a mesa; este levitou suavemente. Zhong Xiao tornou a abrir os olhos—
E o pingente estava dentro do invólucro do espaço!
O entusiasmo do descobrimento quase a fez gritar; tapou a boca, incapaz de ocultar a excitação.
Na sua segunda oportunidade de viver, pensara que estaria cercada de dificuldades, à mercê dos outros, mas, por um acaso do destino, descobria aquele espaço. Agora, todas as riquezas, ouro e prata, teriam um refúgio seguro; não mais temeria a ruína.
Além disso...
Zhong Xiao voltou-se e contemplou a terra negra, vasta e fértil, que se estendia sem limites naquele espaço.
O verdadeiro valor daquele lugar transcendia em muito o ouro ali contido.
Terra, recursos—eram essas as verdadeiras riquezas daquele tempo.
Com cuidado, colocou o pingente de jade e a caixa de jadeíta no espaço, fechou os olhos e, contando até três, os abriu lentamente.
O quarto familiar materializou-se diante de si novamente. Zhong Xiao saltou de alegria; dominara, enfim, o modo de entrar e sair daquele misterioso espaço!
Foi então que, do lado de fora da porta, soou a voz de Zhou Yongxin—
"Xiaoxiao, você pode abrir a porta? O tio pediu que eu te entregasse o dinheiro."
—
Ao mesmo tempo, Yang Yuehe e Du Ying’er retornavam ao quarto. Assim que fecharam a porta, Du Ying’er explodiu:
"Mãe! Por que o pai tem que dar dez mil para ela? Aquele relógio foi o primeiro presente de aniversário que ganhei em toda a minha vida, e ela quer disputar comigo?!" Du Ying’er estava furiosa e ressentida. "Todos esses anos, você sempre se humilhou diante dela e me mandou ser paciente—mas até quando?"
Diante de Du Ying’er, Yang Yuehe deixou cair a máscara, revelando sua verdadeira face, dura e implacável.
Lançou-lhe um olhar severo: "Você ainda tem coragem de reclamar? Nem para empurrar alguém você serve! Além desse arranhãozinho, ainda deixou que te pegassem no flagra! Se não fosse por mim, que levei aquele tapa em seu lugar, acha que o assunto teria morrido aí?"
Só de falar, Yang Yuehe sentia raiva.
Aquela pestinha da Zhong Xiao, tão magra e mirrada, mas com uma força insuspeitada! O tapa a deixara vendo estrelas; sua face ainda latejava de dor.
De semblante fechado, Yang Yuehe abriu uma gaveta, retirou dela a pomada de jade e começou a passá-la no rosto, enquanto, por trás, Du Ying’er resmungava:
"Eu empurrei forte! Se empurrasse mais, teria dado problema. Mas eu vi, com meus próprios olhos, a perna dela bater na madeira e no chão ao cair da escada. Achei que ficaria de cama por um ou dois meses, mas só arranhou a testa!"
Du Ying’er também amaldiçoava em pensamento.
Maldita Zhong Xiao! Vive dizendo que faz dieta, que não come, magra feito um talo de faquir, quem diria que aguentaria uma queda dessas, de tanto alto, e saísse ilesa!
Yang Yuehe lançou-lhe um olhar pelo espelho: "De qualquer forma, só nos resta aceitar o prejuízo. Agora precisamos dela; se alguém tiver que arcar com as consequências, teremos uma escapatória. Engolir essa afronta agora não é nada; em breve, quando nossos bons dias chegarem, ela vai apodrecer esquecida no campo!"
Os olhos de Du Ying’er brilharam, e ela perguntou: "Já está tudo acertado para o campo? Colocou alguns matutos lá para fazê-la sofrer?"
"Fique tranquila", disse Yang Yuehe. "Tudo está arranjado. Só falta Zhou, aquele, empenhar-se em levá-la para lá."
Ao ouvir o nome de Zhou Yongxin, o semblante de Du Ying’er mudou.
Lembrou-se das juras de amor que ele fizera a Zhong Xiao, palavras que a fizeram doer por dentro.
Ela realmente gostava de Zhou Yongxin.
Bonito, eloquente, sempre encontrando formas de agradá-la.
Planejava casar-se com ele ao chegar à cidade portuária.
Mas Zhou Yongxin fizera um juramento terrível a Zhong Xiao, dizendo que preferia não ter filhos a traí-la—e quanto ao filho que ela carregava?
Pensando nisso, Du Ying’er se irritou: "Mãe, vou sair para Laçar um pouco de ar."
Yang Yuehe, impaciente, advertiu: "Nada de arrumar confusão com a senhorita! Controle-se!"
"Já sei!"
……
Nesse momento, na suíte de Zhong Xiao, Zhou Yongxin tentava consolá-la, com voz suave:
"Pronto, Xiaoxiao, não fique brava, está bem? No meu coração só há você. Enxergo Ying’er apenas como uma irmã. Se você não gosta que eu fale com ela, não falo mais, está bem?"
Zhong Xiao, contudo, disse: "E o dinheiro?"
Zhou Yongxin hesitou, mas sorriu: "O dinheiro está comigo… seu tio acabou de me passar…"
"Então por que ainda não me entregou?" Zhong Xiao franziu o cenho.
Zhou Yongxin ficou perplexo.
Entregar a ela?
Zhong Xiao não costumava dar-lhe todo o dinheiro e coisas de valor para que ele guardasse? Só faltava o talismã da família, que ela dizia ser relíquia do avô, e só o entregaria no dia do casamento.
Por que, de repente, ela pedia o dinheiro de volta?
Enquanto Zhou Yongxin estava perdido em pensamentos, Zhong Xiao, pelo canto do olho, notou Du Ying’er descendo as escadas do terceiro andar.
Como Zhou Yongxin deixara a porta aberta ao entrar, Zhong Xiao, de súbito, como se num capricho, disse, manhosa:
"Minha mão está doendo… sopre para mim."
Zhou Yongxin se inclinou para soprar.
Mas Zhong Xiao franziu o cenho, impaciente: "O que está querendo? Antes você se ajoelhava para massagear meus pés. Agora está todo cheio de si, é isso?"
No íntimo, Zhou Yongxin sentiu-se humilhado.
Antes, era uma brincadeira de amantes; agora, ser ordenado por Zhong Xiao a written-se…
Mas Zhou Yongxin não ousava desobedecer.
Zhong Xiao já desconfiava dele e de Du Ying’er; se não demonstrasse lealdade, e ela se recusasse a entregar o talismã, estaria perdido!
E assim, Zhou Yongxin realmente ajoelhou-se diante de Zhong Xiao e, gentil, soprou em sua palma.
Zhong Xiao conteve o asco.
Logo, Du Ying’er, como ela previra, não se conteve—e sua voz ressoou do lado de fora:
"Vocês! O que estão fazendo—ah!"
Ao ver Zhou Yongxin ajoelhado diante de Zhong Xiao, Du Ying’er foi tomada de uma fúria descontrolada; distraída, não viu o degrau à frente e rolou escada abaixo!
Ironicamente,
O degrau partido fora justamente aquele que ela mesma quebrara ao empurrar Zhong Xiao no dia anterior—e que ainda não haviam consertado!
A retribuição, enfim, chegara.