Capítulo 6: Retirando o Remédio no Armazém
Zhong Xiao falou com crueldade, deixando Zhou Yongxin tomado por raiva e indignação.
Antes, ele sempre achara Zhong Xiao uma moça tola e simplória; embora tivesse um temperamento um tanto impetuoso, era, no fundo, fácil de enganar.
Jamais imaginara que pudesse ter uma língua tão afiada, tão impiedosa ao insultar alguém.
Não temia, acaso, sofrer o reverso de suas próprias palavras?
Du Huacheng também já não podia mais ouvir aquilo. Afinal de contas, tratava-se de sua filha, a quem dedicara longos anos de afeto. Hesitou, mas acabou dizendo ao médico prático:
— Em casa temos medicamentos. Faça tudo ao seu alcance, o mais importante é salvar a mãe, custe o que custar!
A família Zhong não carecia de dinheiro, tampouco faltavam remédios no armazém. Com o suficiente em notas, o médico, ainda que não ousasse, teria de se arriscar e agir.
Assim, o médico listou alguns itens para Du Huacheng providenciar imediatamente.
— Antes de mais nada, lidocaína e ***, ocitocina e penicilina, aspirina. Se tiverem, tragam o máximo que conseguirem. Outros antibióticos também servem; tragam todos, além de agulhas, injetáveis, luvas descartáveis de todo tipo.
Du Huacheng assentiu:
— Temos, temos tudo isso.
Ao ouvir tais palavras, Zhong Xiao sentiu um frio subir-lhe pela espinha.
Esses medicamentos, mesmo em hospitais de Yuecheng, não eram facilmente disponíveis. Atualmente, o controle sobre remédios era rigoroso; antibióticos e anti-inflamatórios ocidentais eram recursos de valor inestimável.
Gente comum jamais conseguiria tê-los em mãos.
Até Zhong Xiao ignorava que a família Zhong os possuía.
Du Huacheng apressou-se para o armazém, e Zhong Xiao o seguiu:
— Pai, vou com você.
Mal proferira essas palavras, Yang Yuehe sentiu um alarme soar em seu íntimo e suplicou, aflita:
— Xiaoxiao, por favor, não vá atrapalhar agora... Sua irmã está entre a vida e a morte, precisamos dos remédios imediatamente. Por mais zangada que você esteja, resolvemos depois esse assunto, está bem?
Zhong Xiao, já impaciente, fez um gesto de desdém:
— Só quero ajudar. Pergunte ao meu pai se ele sabe ler. Sabe distinguir o que é penicilina? O que é lidocaína?
Yang Yuehe e Du Huacheng ficaram mudos de espanto.
De fato.
Eles eram analfabetos.
Naquela hora, só mesmo Zhong Xiao, a única letrada presente, poderia agir.
Ainda assim, Yang Yuehe não sentia confiança alguma em Zhong Xiao.
Mas Zhong Xiao mantinha-se impassível, pois não era ela quem deveria se desesperar agora.
De braços cruzados, Zhong Xiao declarou:
— Se não confiam em mim, procurem vocês. Mas quando encontrarem, provavelmente Du Ying'er já estará morta.
O médico também advertiu, ao lado:
— O tempo urge.
Du Huacheng, decidido, puxou Zhong Xiao:
— Basta, venha comigo, filha. Sei que você é teimosa, mas tem bom coração. Jamais faria mal à sua irmã.
E lançou um olhar significativo para Yang Yuehe.
A essa altura, só restava confiar em Zhong Xiao.
Ela seguiu Du Huacheng calmamente até o armazém. No percurso, ele tentava convencê-la:
— Xiaoxiao, compreenda seu pai. Seu avô sempre foi autoritário, nunca aprovou meu casamento com sua mãe. Eu sou homem, e homens têm orgulho. Nessa fase conheci a tia Yang, que foi uma companhia atenciosa e me consolou... Por isso cometi um erro...
Du Huacheng concluiu:
— Você me entende, não entende?
Entender sua segunda esposa, seu terceiro tio, sua quarta tia, o quê!
Zhong Xiao sorriu com frieza por dentro.
Seu pai era um canalha: queria as riquezas dos Zhong, mas não suportava a condição de genro submisso.
Queria tudo, e mais; coração insaciável, como serpente a devorar um elefante.
O mais revoltante é que, na vida passada, ele realmente se reerguera e vivera dias de glória.
Por isso o céu, indignado, agora enviara Zhong Xiao para lhe cobrar o preço!
Mas Zhong Xiao não tinha pressa — absolutamente nenhuma.
Se quisesse, bastava revelar a gravidez de Du Ying'er, e todos seriam imediatamente presos, acusados de "comportamento indecente", "má educação dos filhos", "crime de vagabundagem" — e torturados até a morte.
Porém, tal denúncia não pouparia nem mesmo ela, filha mais velha dos Zhong.
Assim, jamais cogitou expor o fato.
Mas Du Ying'er, essa sim, pagaria o preço.
Ao chegar ao armazém, mesmo preparada, Zhong Xiao não conteve o choque e fechou os punhos.
O depósito situava-se no lado oeste do grande casarão, num pequeno edifício anexo.
Zhong Xiao sempre buscara suprimentos no primeiro e segundo andares.
O terceiro piso estava sempre trancado; diziam-lhe Du Huacheng e Yang Yuehe que ali morrera uma criada, e que, por conselho de um mestre, o local permanecia selado, por ser agourento.
E Zhong Xiao, tola, acreditara.
Só agora percebia.
Todo o terceiro andar estava abarrotado de suprimentos médicos escassos em toda Yuecheng.
Caixas e mais caixas de remédios ocidentais, raras ervas chinesas.
O que saltava aos olhos era a amoxicilina.
Ao lado, uma caixa de procaína, anestésico local usado no colo do útero, semelhante à lidocaína.
Logo acima, duas caixas: uma de ***, para tratamento cardíaco, outra de insulina — ouro dos tempos de paz.
Mais adiante.
Zhong Xiao avistou uma caixa de petidina, também conhecida como ***.
Seu olhar tornou-se gélido.
Sem demonstrar nada, aproximou-se das caixas de procaína, lidocaína e aspirina, pousou a mão sobre elas e fechou os olhos.
Em sua mente, desenhou-se vagamente a imagem do espaço.
Com um pensamento, as três grandes caixas desapareceram, transferidas para o espaço.
Ao reabrir os olhos, os três volumes do topo haviam sumido.
No exato instante em que Du Huacheng se virou, Zhong Xiao desviou o olhar. Ele, ansioso, perguntou:
— Xiaoxiao, achou os remédios que o médico pediu?
Havia tantas caixas no depósito, as três de cima eram só parte da pilha; ninguém notaria a falta, tampouco Du Huacheng.
— Sim — disse Zhong Xiao, abrindo uma caixa e tirando uma embalagem de amoxicilina —, aqui está, amoxicilina.
Du Huacheng, cauteloso, a tomou e seguiu atrás da filha, pegando tudo o que ela lhe dava.
Em pouco tempo, seus braços estavam cheios de ocitocina, penicilina, aureomicina, tetraciclina, amoxicilina — várias caixas.
Além de injetáveis, seringas e agulhas.
Zhong Xiao avisou:
— Só isso. Lidocaína não tem.
— O que é lidocaína? — perguntou Du Huacheng.
Zhong Xiao concluiu, para si: se ele nem sabe o que é lidocaína, esses medicamentos certamente não foram estocados por ele.
Só podiam ser de Yang Yuehe.
Ela respondeu:
— Comparada aos demais, a lidocaína não é tão essencial; serve para anestesia. Agora, o importante é estancar o sangue e induzir o parto. Quanto à dor... Dor não mata ninguém.
Du Huacheng entendeu o recado.
Coração endurecido, não havia alternativa!
Salvar a vida era prioridade; do resto, que cuidasse o destino!
Se doer, que doa — quem mandou a Ying'er meter-se em encrenca tão grande?
Servirá, ao menos, de lição.