Capítulo 3: O Encontro

Hidup Kembali Setelah Masa Senggang Mimpi Bunga Dingin 3383kata 2026-03-11 14:42:42

“Esta humilde donzela saúda Vossa Majestade, desejando-lhe paz e saúde.” Lu Jingshu mantinha a cabeça inclinada, não permitindo a ninguém espreitar as emoções estranhas em seu olhar ou a desordem que lhe tingia o semblante.

Lançando um breve olhar à Lu Jingshu, que lhe prestava reverência de joelhos, o imperador Zhang Yan apenas pôde ver o penteado impecável no topo de sua cabeça e um pequeno trecho do pescoço alvo e delicado.

A expressão de Zhang Yan manteve-se inalterada; desviou o olhar e declarou, “Levanta-te.” Em seguida, dirigiu toda a sua atenção à Imperatriz Viúva Zhou.

“Ouvi dos criados do palácio que a mãe imperial passeava pelo Jardim Imperial. Como por acaso passava por aqui, decidi vir vê-la.” Tanto na voz quanto no semblante, havia uma suavidade notavelmente maior.

A Imperatriz Viúva Zhou correspondeu com um leve aceno, mantendo sempre o sorriso sereno. “Convidei a senhorita mais velha da família Lu para vir ao palácio e fazer-me companhia, dissipando o tédio. As flores do Jardim Imperial estão em pleno viço; decidimos vir juntas apreciá-las.”

Lu Jingshu ergueu-se por si só, os olhos sempre baixos, fitando apenas o solo, e recuou para postarse atrás da imperatriz viúva.

Diante dessas palavras, Zhang Yan lançou novamente um olhar a Lu Jingshu. Vendo-a ainda com a cabeça baixa e em silêncio, não se sabe por que pensamentos lhe passaram pela mente, e seus lábios se comprimiram levemente.

Tudo se deu em um breve instante, e logo um sorriso despontou no rosto de Zhang Yan. “Que a mãe imperial se entretenha à vontade; tenho ainda muitos assuntos a tratar, por isso retornarei à Sala da Autoridade.”

A imperatriz viúva assentiu mais uma vez, contemplando com brandura a partida de Zhang Yan. Lu Jingshu acompanhou junto aos demais criados, despedindo-se respeitosamente. Só quando teve certeza de que o imperador se fora, ousou levantar o rosto.

Não se pode negar: o fato de Zhang Yan ter partido tão rapidamente trouxe-lhe um grande alívio. Por pouco não desfalecera; se não tivesse apertado com força os próprios dedos, temia perder o controle ali mesmo.

Agora, apenas ouvir a voz daquele homem já lhe provocava repulsa. Lu Jingshu percebeu, então, que o odiava muito mais do que jamais imaginara.

A imperatriz viúva sabia que, sempre que Lu Jingshu cruzava com o imperador, tornava-se extraordinariamente taciturna, por isso não estranhou seu silêncio.

Jamais, sendo pessoa de compostura, faria troça de Lu Jingshu por tais motivos. Todavia, noutras ocasiões, sempre percebera um leve rubor suspeito tingindo-lhe o rosto; desta vez, porém, via-se apenas um palor lívido.

Crendo que Lu Jingshu passava mal, a imperatriz viúva apressou-se em perguntar: “Sentes-te indisposta? Por que esse semblante tão pálido?”

O sorriso no rosto de Lu Jingshu vacilou por ela, mas logo simulou surpresa e tocou de leve as próprias faces. Dissipando o fingido espanto, voltou a sorrir: “Não sinto desconforto algum, creio que não é nada de grave. Não vos preocupeis, Vossa Alteza.”

Ao notar que Lu Jingshu parecia recobrar um pouco da cor enquanto falava, a imperatriz viúva não insistiu.

As duas permaneceram ainda algum tempo no quiosque, depois caminharam mais um pouco pelo Jardim Imperial. Quando o horário do almoço se aproximou, retornaram ao Palácio Yongfu.

Zhang Yan, de volta à Sala da Autoridade, sentou-se diante da ampla mesa adornada com dragões dourados entrelaçados nas pernas. Olhando para uma pilha de memorial, não pôde evitar que o pensamento lhe fugisse para a figura de Lu Jingshu, a quem encontrara há pouco no jardim.

Ela trajava hoje uma ruqun de decote cruzado, com o corpete num tom de jade e a saia inferior de um marfim tão puro que parecia refrescante. Na barra da saia, flores de pessegueiro em tons de rosa estavam bordadas esparsamente — detalhe que ele notara, por acaso, quando ela se prostrara em reverência.

Quase podia imaginar Lu Jingshu atravessando o jardim em meio às flores, qual ninfa etérea. De qualquer forma, seria impossível negar-lhe a beleza.

Lembrou-se ainda do breve relance ao pescoço alvo e delicado que vislumbrou ao chegar ao quiosque — um convite mudo, perturbador.

Franzindo levemente o cenho, Zhang Yan achou estranho em si mesmo, pois não sabia por que se deixava levar por tais pensamentos.

Nestes dois anos, Lu Jingshu não viera ao palácio tantas vezes, mas tampouco eram visitas raras; sempre a mando de sua mãe, a imperatriz viúva. Por vezes cruzavam-se, mas ela, invariavelmente, mantinha a cabeça baixa e, salvo os cumprimentos de praxe, jamais lhe dirigia palavra.

Aquela que no rigor do inverno ousara lançar-se nas águas gélidas para salvá-lo, parecia agora incapaz de encará-lo de frente — algo deveras intrigante.

Os pensamentos, então, vagaram até o passado, ao incidente do afogamento, e o semblante de Zhang Yan tornou-se mais sombrio. Estaria ele mesmo pensando naquela que o tinha deliberadamente manipulado?

O nevoeiro em sua mente dissipou-se num átimo, e a imagem de Lu Jingshu desvaneceu-se por completo. Um brilho gélido passou por seus olhos ao tomar do pincel imperial ensanguentado para despachar os documentos.

Já que ela tanto desejava o posto de imperatriz, já que tramava tão ardilosamente para conquistar-lhe o coração, que mal haveria em lhe fazer companhia neste teatro de ilusões?

Já anoitecia quando Lu Jingshu retornou à mansão Lu. Durante o trajeto, recostou-se à coxia da carruagem, tentando repousar. Por mais estável que fosse o veículo, as sacudidas eram inevitáveis; encostada, sentia-as ainda mais, mas nada lhe parecia importar.

Longe do palácio, tantas emoções voltaram a se ocultar, mas outras tantas cresciam desmesuradamente em seu íntimo.

A mente de Lu Jingshu era um caos; desejava apenas pôr ordem nos próprios pensamentos. De olhos fechados, via de novo, sem cessar, as cenas aterradoras de outrora — a miséria a que fora reduzida, o coração consumido pela desesperança, os entes queridos, um a um, tombando…

Parecia-lhe o coração esmagado por uma mão imensa, que, apertando mais forte, poderia fazê-lo cessar de bater para sempre. Ela segurou o peito, sentindo o suor frio na testa.

A Miao, sentada ao lado, viu a expressão de dor tomar lentamente o rosto da senhorita e sentiu-se tomada pelo pânico. Seria mais um pesadelo?

Quis acordá-la, como tantas vezes antes, mas não sabia por quê, sentiu que não devia fazê-lo agora.

Achou estranha tal ideia, mas sentia, inexplicavelmente, que sua senhorita lutava bravamente contra aquele pesadelo. Se a despertasse naquele momento, todo esforço teria sido em vão.

A ideia era insólita, mas, para sua surpresa, logo viu a expressão de Lu Jingshu suavizar-se. Passados alguns instantes, ela despertou. Um sorriso aliviado floresceu no rosto de A Miao.

Quando ia dizer algo, a carruagem parou.

“Já chegamos?” perguntou Lu Jingshu, exausta. Sentiu suor na testa e tirou o lenço para secá-la.

A Miao espreitou pela cortina e assentiu: “Senhorita, já estamos à porta da mansão.” E, de pronto, desceu, ajeitou o escabelo e preparou-se para ajudar Lu Jingshu a descer.

Recobrada, Lu Jingshu tomou um momento para se recompor antes de descer da carruagem — o crepúsculo já se insinuava.

A Miao ajudou-a a descer e voltou ao veículo para recolher os presentes concedidos pela imperatriz viúva. Só então adentraram a mansão.

Após passar brevemente em seus aposentos, Lu Jingshu dirigiu-se até Lady Lu. Lu Jinghao, que estava em seu próprio quarto, ao saber do retorno da irmã, também foi até lá.

Quando chegou, Lu Jingshu já conversava com Lady Lu. Cumprimentou ambas e sentou-se a um lado, estranhamente calada.

Sempre tagarela, hoje Lu Jinghao estava incomumente silenciosa. Lu Jingshu olhou-lhe intrigada: “O que houve, Ah Hao? Por que esse silêncio? Minha irmã não pode ser assim tão quieta.” Lady Lu também lançou um mot de surpresa à filha mais nova.

Lu Jinghao corou e fingiu irritação: “Minha irmã não pode ser tão insuportável!” Ambas riram.

Mas logo, como se o ânimo lhe murchasse, Lu Jinghao calou-se de novo, a voz mais baixa.

“Hoje recebi um convite para comparecer ao banquete das flores na Mansão Sun, em alguns dias.”

Ao ouvir mencionar a Mansão Sun, Lu Jingshu sentiu um pressentimento ruim, mas nada transpareceu; apenas perguntou: “E o que há nisso? Algum problema com esse banquete?”

A aflição tingiu o rosto de Lu Jinghao: “Algumas amigas íntimas também receberam o convite, e eu até queria ir… Mas a carta faz questão de dizer que… a irmã deve ir comigo.”

“Essas pessoas, vendo que a irmã entrará no palácio em um ano, só querem bajulá-la de todo modo.” O aborrecimento superou a inquietação em sua expressão.

Lu Jingshu compreendeu: era óbvio demais o interesse daquelas famílias. Essas moças de casas oficiais, quem sabe se, no futuro, não teriam destino igual ao seu.

Só então se lembrou: na vida passada, próxima da entrada no palácio, recusara a maioria desses convites. Por isso, jamais soube como a irmã conheceu Sun Li.

Enquanto ponderava, apertou carinhosamente a face da irmã.

“Irei contigo, não te preocupes.” Voltou-se para Lady Lu, que concordou com a cabeça. “Vês? Mamãe também aprova. Não fiques aborrecida por tão pouco.”

A expressão de Lu Jinghao finalmente melhorou.

Um problema resolvido, mas Lu Jingshu ainda tinha outras inquietações: “A Mansão Sun… é aquela família Sun?” Para ser sincera, se não fosse por sua irmã ter-se casado com Sun Li na vida anterior, pouco saberia sobre essa família.

“A Mansão Sun de que Ah Hao fala é a do Censor Imperial Sun; a filha mais velha é um ano mais moça que ela”, explicou Lady Lu, e Lu Jinghao confirmou com um aceno.

“Só nos vimos duas ou três vezes…” — havia um quê de mágoa na voz.

De fato, era a casa de Sun Li. Lu Jingshu aplacou a irmã com algumas palavras gentis, mas não pôde deixar de pensar que a transparência de Jinghao era perigosa. Tão inocente e espontânea, era presa fácil para gente ardilosa.

Sun Li… Os olhos de Lu Jingshu brilharam com determinação. Pelo futuro da irmã, era preciso abrir-lhe os olhos cedo, revelar-lhe o verdadeiro caráter daquele homem.

Não havia tempo a perder.