Capítulo Cinco: Qin Shihuang, o Imperador que Amava Espetinhos

Menjadi Menantu Patuh Kaisar Qin Shi Huang Tak berkata sembarangan. 2711kata 2026-03-13 14:38:40

Cidade de Xianyang, oficina de ferreiro

— Daniu, terminou o que te pedi para fazer? — indagou Li Chen.

— Já está pronto faz tempo, só esperando você vir buscar. Mestre Li, afinal, para que serve esse trambolho de ferro? Me deu um trabalho danado, viu! — Daniu aproximou-se, curioso.

Li Chen examinava o destilador diante de si. Era inteiramente feito de ferro, composto por três recipientes herméticos — grande, médio e pequeno — ligados por um tubo de ferro. O recipiente maior servia para armazenar o vinho, o médio para resfriamento, e o menor para o produto final. O conjunto reluzia, de aparência impecável.

— Hm, está com excelente aparência — Li Chen exclamou, sincero.

— Como assim “boa aparência”? Eu, Daniu, não faço trabalho só para enfeite! Não sei para que serve, mas garanto que funciona perfeitamente. Veja só as junções dos tubos e dos potes, selei tudo com cola de couro e ferro liquefeito. Não entendo direito esse tal de “vácuo” que você mencionou, mas prometo que não vaza ar por três anos. Não é por me gabar, mas minha técnica é herança ancestral. Em toda Xianyang, tirando os ferreiros do exército, ninguém faz melhor do que eu! — ofendeu-se Daniu ao ouvir Li Chen elogiar apenas a aparência.

— Sua técnica é admirável, a melhor de Xianyang. Muito bem — Li Chen contemplou o mais perfeito destilador da dinastia Qin, e ao fitar o rosto simples e honesto de Daniu, uma ideia ousada e ainda imatura lampejou-lhe na mente.

— Daniu, com tua habilidade, quanto ganhas por mês? — perguntou, com ar genuíno.

— Ganho só o suficiente para o sustento. E como é tudo gente da vizinhança, não posso cobrar muito. Sou, com certeza, o ferreiro mais barato de Xianyang. Assim mesmo, consigo tirar setenta ou oitenta moedas de cobre por mês, o bastante para comer e beber — Daniu levantou o queixo, como se setenta ou oitenta moedas fossem uma fortuna.

— E carne, Daniu, com que frequência tu comes? E meus espetinhos, são saborosos? — continuou Li Chen.

— Trabalho pesado, como muito, mas com setenta ou oitenta moedas só dá para não passar fome; carne mesmo, é luxuoso. Teus espetinhos são deliciosos, melhores que a carne que como nas festas de Ano Novo — respondeu Daniu, engolindo em seco.

— Daniu, não tens vontade de casar? — perguntou Li Chen outra vez.

— Claro que tenho! Antes de morrer, minha mãe só desejava que eu arranjasse esposa. Mas sou um desajeitado, não junto dinheiro, e até Cuihua da aldeia vizinha já se casou. Se eu casasse, levaria minha mulher para a aldeia, diante do túmulo de minha mãe, para mostrá-la — disse Daniu, enxugando as lágrimas.

— Fazendo isso, nunca há de conseguir esposa. Veja este lugar, pobre, sujo, malconservado... tão miserável que nenhuma moça vai querer saber de ti — Li Chen golpeou-lhe com a verdade.

— Afinal, o que quer dizer? — Talvez ferido pelas palavras, Daniu respondeu rispidamente.

— Trabalha comigo. Pago-te três taéis de prata por mês. Com esse salário, logo arranjarás mulher e uma prole de filhos robustos — propôs Li Chen, em tom sedutor.

Daniu vacilou, tentado pelo valor, mas logo recordou algo:

— Não vendo minha liberdade! Antes de morrer, minha mãe me alertou: melhor morrer de fome que vender-se aos senhores, que são lobos vorazes!

— Não assinaremos contrato de servidão, eu tampouco sou senhor de terras. Pago-te três taéis de prata por mês, trabalhas comigo, e saís quando quiseres — garantiu Li Chen.

— Sério? Sem contrato, três taéis por mês? Existe mesmo coisa boa assim? — Daniu indagou, desconfiado.

— Garanto que sim. E ainda comerás espetinhos todos os dias. Aceitas? — Li Chen, determinado a conquistar o primeiro talento técnico que encontrara em Qin, não poupava esforços.

— Se não é para assinar contrato, aceito! — Daniu, engolindo em seco, não resistiu ao apelo da carne e do sonho da esposa.

— Daniu, vai acender o fogo e esquenta a água do caldeirão.

— Liuzi, filtra o vinho comprado com um pano de linho.

Meia hora depois, na cozinha dos fundos da casa de espetos, Li Chen coordenava os dois no trabalho.

— Pronto, pronto, levantem o destilador. O recipiente grande dentro do caldeirão, alinhem e firmem.

— Daniu, alimente o fogo, quanto mais forte melhor.

— Fique tranquilo, patrão, vai arder mais que a fornalha da minha oficina!

— Huf, huf, huf! — Daniu manejava o fole com vigor, o fogo crepitando como o próprio caldeirão de Laozi.

Logo, o grande recipiente do destilador começou a soltar fumaça: o ponto estava próximo.

— Liuzi, água no médio, vinho no grande, sem parar.

— Pode deixar, irmão!

Após cerca de uma hora, todo um grande barril de vinho estava despejado, e metade de um armário de lenha consumida. Li Chen abriu a torneira do recipiente menor.

— Hm...

No instante em que abriu a válvula, um perfume intenso de álcool invadiu o ambiente. O destilado escorria em fio contínuo para as talhas previamente preparadas: encheram duas talhas inteiras e ainda restaram cinco tigelas. Liuzi selou as talhas com barro amarelo.

— Venham, provem — convidou Li Chen, apontando para as tigelas.

— Melhor não... — Ao sentir o aroma, Daniu hesitou, percebendo tratar-se de bebida valiosa.

— Beba! O patrão não é avarento; trabalhando com ele não falta boa comida nem bebida — Liuzi apressou-se em dizer.

Li Chen aprovou a sagacidade do rapaz, acenando satisfeito.

— Excelente vinho!

— Vinho magnífico! — os dois exclamaram após provarem.

— Paf! — Li Chen bateu na mão de Liuzi quando este se esticou para uma segunda tigela.

— Ainda tem serviço hoje à noite! — ralhou.

— Estamos para abrir, Liuzi na grelha, Daniu na lida.

Li Chen acomodou-se na espreguiçadeira ao lado do balcão; enfim, podia agir como um verdadeiro dono de casa.

— Ora, vovô, voltou de novo hoje? Trouxe amigos? — Assim que abriram, Liuzi saudou um ancião.

O velho era cliente habitual, quase diário. Apesar da idade, comia como três rapazes juntos.

— Pequeno, e teu irmão? — inquiriu o idoso.

— Meu irmão está estudando. Ele vai ser grande oficial; é um verdadeiro estudioso — Liuzi respondeu, orgulhoso.

— Para ser oficial não precisa só de estudos. Aqueles letrados empolados, quando viram mandarins, não prestam para nada! — o idoso zombou.

— Cinquenta espetos de cordeiro ao mel, cinquenta picantes, dois peixes assados, duas pernas de cordeiro — pediu.

Poucos clientes nesse início, logo os pratos do velho estavam à mesa.

— Dono, esse vinho na mesa, posso provar? — perguntou o homem de meia-idade que o acompanhava, ao ver Li Chen sorvendo o vinho.

— Daniu, sirva-lhe uma tigela — ordenou Li Chen, sem levantar a cabeça.

— Paf! — Daniu deixou a tigela sobre a mesa com força, derramando parte do vinho.

— “Zi...” — O homem de meia-idade, ao provar o vinho, soltou um murmúrio de prazer.

— Vossa Ma... — O idoso ia falar, mas foi interrompido:

— Nada. O vinho é forte, mas raro de encontrar igual — declarou o homem, esvaziando a tigela de um gole só.

— Dono, há mais vinho? — perguntou.

— Sim, mas não é barato — respondeu Li Chen.

— Não importa, sirva à vontade.

Mal acabara de pedir, Li Chen já lhe trazia uma talha recém-preenchida — afinal, era uma presa fácil.

— Vovô, o seu acompanhante vale ouro, hein! — comentou Li Chen, colocando o vinho sobre a mesa, sem conseguir expressar plenamente o que sentia.

— Não fale bobagens, este velho não passa de um criado antigo — atalhou o ancião.

Anos depois, quando Li Chen rememorasse seus maiores arrependimentos, lamentaria não ter ajoelhado nesse momento e chamado por “sogro”.