Capítulo Quatro: A Escama Reversa

Zaman Kiamat Xiao Yu yang Baru 3541kata 2026-03-12 14:41:48

“Loja do Sistema?” Fiquei atônito por um instante, como se algo insólito tivesse cruzado minha mente. Embora eu gostasse de fazer coisas descabidas no dia a dia, a verdade é que acertei no palpite, pois, em minha consciência, de fato se materializava uma interface estranha.

No canto superior esquerdo do visor, exibiam-se minhas informações pessoais.

Zheng Hao: Candidato a Salvador da Humanidade.
Nível: Soldado de terceira classe.
Experiência necessária para o próximo nível: 200 pontos.
Pontos GP: 40.
Condição física: Força: 100 pontos. Velocidade: 70. Energia: 50. Defesa: 60.

No canto superior direito, havia um módulo denominado Loja do Sistema, mas este se encontrava ainda indisponível. No centro da interface, via-se um módulo chamado Mochila de Combate, com quatro compartimentos, dos quais apenas o destinado à arma secundária estava ocupado; os demais permaneciam vazios.

Ainda assim, aquilo era o bastante para me deixar em êxtase. Dentro da Mochila de Combate, uma pistola negra jazia silenciosa. No instante seguinte, uma sensação de peso preencheu minha palma: a arma exibia uma curvatura impressionante, gelada e substancial ao toque.

Apesar de, em minha vida pregressa, ter lidado com armas de fogo — privilégio conquistado apenas após ingressar no exército —, se eu tivesse tido acesso a armamento quente no início do apocalipse, não teria precisado lutar tão miseravelmente pela sobrevivência.

Para minha surpresa, ao examinar a pistola mais atentamente, percebi que se tratava de uma Type 92, armamento padrão das forças armadas da China.

Cada carregador comportava doze projéteis. Segundo a descrição do sistema, havia quatro carregadores ao todo, ou, mais precisamente, três oportunidades de restaurar a capacidade total dos carregadores. Ao esvaziar um deles, bastava retirá-lo e inseri-lo novamente para que fosse automaticamente recarregado, e a munição seria restabelecida a cada dia, às seis horas da manhã.

Não pude evitar um suspiro diante da prodigiosa engenhosidade do sistema; contudo, diante do súbito advento do apocalipse, tudo aquilo parecia trivial. Sacudi a cabeça, guardei a pistola Type 92 de volta na mochila do sistema, e, curvando-me novamente, apanhei as linguiças e a carne seca do chão — eram poucas, mas melhor do que nada.

Ainda empunhava, com a mão direita, o machado de incêndio de tonalidade rubra. Deixei o refeitório. O ambiente exterior permanecia mergulhado em trevas profundas; apenas ao longe, prédios como o bloco de aulas exalavam tênues lampejos. Os zumbis que antes me perseguiam, privados de seu alvo, vagavam por ali — mas logo pareciam pressentir algo.

“Rooaar!” Um bramido grave rompeu o silêncio de longa data. Eu suspirei, resignado. Três ou quatro zumbis não representavam verdadeira ameaça para mim, nem sequer exigiam que eu recorresse à pistola.

O machado de incêndio descreveu um arco súbito em direção ao pescoço de um zumbi, mas este desviou levemente, de modo que a lâmina atingiu-lhe o peito, rasgando um ferimento profundo do qual jorrava incessantemente um sangue esverdeado. O sistema nervoso daqueles monstros estava evidentemente colapsado: não sentiam dor, tampouco cansaço.

Sem hesitar, desferi o golpe final. O machado traçou um arco gélido no ar e, no instante seguinte, decepou a cabeça do zumbi em duas metades, espalhando uma torrente nauseante de sangue viscoso. Continuava sendo brutalmente sangrento, mas não me restava escolha senão me adaptar.

Este mundo é assim, cruel e inexorável — sobretudo no fim dos tempos. Se não fores capaz de transformá-lo, resta apenas aprender a sobreviver nele.

“Ding! Você abateu com sucesso um zumbi fracassado na mutação. Ganhou 10 pontos de experiência, 10 pontos GP.”

(…)

Na verdade, para um homem adulto, um zumbi comum não é motivo de temor. Basta não perder a cabeça, agir com cautela diante de seus ataques e buscar atingir seus pontos vitais. Afinal, criaturas que se movem por mero instinto jamais poderiam rivalizar com a obra-prima do Criador.

Caminhando na escuridão, logo cheguei ao sopé do dormitório masculino. Fora alguns zumbis dispersos pelo caminho, nada perturbou minha marcha. Com a Type 92 como meu trunfo, desde que não enfrentasse mais de dez zumbis simultaneamente, podia me garantir.

O térreo do dormitório parecia mergulhado em absoluta escuridão; apenas a tênue luz acima permitia-me vislumbrar o contorno da entrada. O chão jazia coalhado de cadáveres, a maioria decapitada, restando apenas alguns em processo de transformação. Entrei cauteloso. As paredes estavam manchadas de sangue, e até sinais internacionais de socorro, como “SOS”, podiam ser vistos. Era evidente que depositaram toda esperança em algum auxílio externo, ignorando que toda a humanidade enfrentava a mesma calamidade.

Logo, uma porta de ferro bloqueou meu avanço — acesso obrigatório ao segundo andar. As manchas de sangue ali denunciavam tragédias passadas.

“Abra a porta!” Ordenei, franzindo a testa e batendo algumas vezes no metal.

“Você não pode entrar! E se estiver infectado?” retorquiu uma voz do outro lado.

“É isso mesmo! Com tantos zumbis lá fora, chegar tão tarde ao dormitório só pode ser sinal de infecção!” exclamou outra.

Eram claramente os responsáveis pela vigília. Suas preocupações tinham fundamento: em abrigos com menos de cinco mil pessoas, bastava um portador do vírus infiltrado para espalhar o terror em pouco tempo.

“Pensem bem: se eu estivesse infectado, conseguiria conversar com vocês assim?” argumentei, resignado.

“Faz sentido...”

A porta de ferro finalmente se abriu. Um dos rapazes espiou-me pela fresta, certificando-se de que eu estava ileso antes de afrouxar o semblante.

“Pode entrar”, disse ele, “sabe como é, irmão, não é fácil estar deste lado. Esperamos sua compreensão.”

Assenti, demonstrando entendimento.

“O que ganham, afinal, por protegerem o chefe de vocês?” indaguei de súbito.

“Na verdade, quase nada... só um pouco de comida e armas. Mesmo assim, muitos lutam por este posto — dentro do dormitório, os víveres são escassos. Muitas garotas, por comida, acabam vendendo o próprio corpo. E, apesar disso, há quem ainda passe fome.” O outro rapaz suspirou.

Balancei a cabeça. Com os suprimentos saqueados no refeitório, seria possível alimentar mais de uma centena de sobreviventes por quatro ou cinco dias, se fossem compartilhados.

Mas a natureza humana é, em essência, egoísta.

A bondade pode se disfarçar em tempos de paz — mas, diante da morte, quantos realmente se importam com o próximo?

“Quando subir, vá direto ao terceiro andar. O segundo não é seguro, e o quarto pertence a Long Xiao Cheng”, alertou o rapaz, solidário.

Long Xiao Cheng era amplamente reconhecido como o “valentão” da escola. Com muitos seguidores, sempre usou de sua influência para impor sua vontade. Em tempos de caos, é claro que não ficaria de braços cruzados.

“Aliás, viram por acaso um casal por aqui? São meus amigos — a garota é muito bonita”, perguntei antes de subir.

Os dois se entreolharam, hesitantes, mas não disseram nada.

Um mau pressentimento se apoderou de mim. Subi às pressas para o segundo andar e, logo, risos debochados chegaram aos meus ouvidos. No chão, vi uma figura prostrada — Xu Xuehong, ferido e furioso, tentava se levantar.

“Zheng Hao, Shangguan Ting foi levada por Zhang Sheng”, disse ele, com raiva.

No corredor, vários marginais fumavam displicentemente à porta de um dormitório.

Senti um choque elétrico percorrer meu corpo e, ao olhar naquela direção, compreendi tudo em um instante.

A ira cresceu em meu peito, ardente e incontrolável.

“Fora daqui!” rugi, explodindo de fúria. Nem percebi quando a pistola negra já estava em minha mão, apontada para o teto — sua curvatura imponente tremeu por um instante.

Pois eu puxei o gatilho!

“Bang!” O estampido ecoou; meu braço formigou com o recuo, mas já não me importava.

“O primeiro que tentar me impedir, eu mato!”

O pavor estampado no rosto dos delinquentes era uma cena digna de nota — pareciam ter visto um fantasma.

Em situações extremas, cada um pensa em si; todos temiam cruzar meu caminho e provocar sua própria desgraça.

Arrombei a porta de um chute. Lá dentro, um brutamontes sem camisa segurava uma faca junto ao pescoço de uma jovem, cujas roupas estavam em desalinho — a parte superior do uniforme, desaparecida. Não havia dúvida: era Shangguan Ting.

Seu rosto estava ruborizado, corpo mole, murmurando incoerências — alheia à lâmina encostada em sua garganta.

Diante daquele quadro, não me restava dúvida: Shangguan Ting fora drogada!

O brutamontes era, sem dúvida, Zhang Sheng — o mesmo de quem Xu Xuehong falara, notório valentão da escola, que já me importunara muitas vezes. Agora, no caos, continuava a tirar vantagem do poder.

Se eu tivesse chegado um pouco mais tarde, Zhang Sheng teria conseguido o que queria. Xu Xuehong mal podia lidar com os capangas do lado de fora, quanto mais impedir o pior. Eu jamais me perdoaria.

Zhang Sheng, sobrevivente experiente, reagiu prontamente ao tiro. Sabia muito bem o quanto Shangguan Ting era importante para mim — desde o início, fizera dela seu trunfo.

“Solte-a!” gritei, empunhando a arma.

“Acha mesmo que é possível? Se eu a libertar, na próxima fração de segundo minha cabeça estará crivada de balas”, respondeu Zhang Sheng, com um sorriso gélido. Ficava claro que não cederia facilmente.

“Seu monstro!” contive a raiva e insisti, “O que você quer, afinal?”

“Jogue a arma para cá e a libero”, respondeu, de olhos fixos em minha mão.

“Jamais!” recusei sem pestanejar. Se entregasse a arma, não teria chance nem contra Zhang Sheng, nem contra seus capangas.

“Imagino que esta garota lhe seja muito cara, não? Se continuar irredutível, só lhe restará assistir enquanto desfiguro o rosto dela.” Zhang Sheng esboçou um sorriso cruel. “Vou contar até três. A cada segundo, farei um corte em sua face. Que desperdício, um rosto tão bonito...”

Ele passou a lâmina pelo rosto de Shangguan Ting, mas ela continuava alheia, murmurando palavras ininteligíveis, sua consciência cada vez mais turva.

“É melhor não me forçar”, adverti, mirando Zhang Sheng com a pistola já desativada a segurança. Qualquer palavra adicional era inútil naquele momento.

“E eu lhe aconselho o mesmo: não pense que pode atirar antes que eu a machuque. Mesmo que sua pontaria seja boa, tenho certeza de que posso acabar com a vida dela antes de ser atingido.” O olhar de Zhang Sheng era calmo, confiante; desde o início, ele detinha o controle da situação.