Capítulo Três: O Pano de Fundo da Ruptura entre Irmãs

Terlahir Menjadi Tokoh Antagonis dalam Novel Wanita Tango di Pegunungan Bersalju 2587kata 2026-03-12 14:44:35

O guerreiro da morte fazia jus ao seu título: de maneira simples e desprovida de emoção, apenas assentiu levemente com a cabeça e, no instante seguinte, desapareceu diante dos olhos de Gu Mu. Mesmo Gu Mu era incapaz de discernir onde ele se ocultava.

Era, de fato, algo assombroso. Oculto de tal forma que ninguém conseguiria encontrá-lo—nem mesmo seu senhor. Contudo, bastava Gu Mu chamá-lo, e o guerreiro de morte surgia imediatamente. Era evidente que vinha ao primeiro chamado e partia ao menor aceno; e, destituído de sentimentos, sempre lhe seria leal. Uma força notável, sem dúvida.

Gu Mu atirou-lhe uma peça de roupa e ordenou que se escondesse novamente.

Logo, uma serva vigorosa entrou trazendo uma bacia de água, toalhas e outros apetrechos, seguida por duas criadas de posição inferior. Mal Gu Mu se sentou, pôde desfrutar de um serviço completo: vestir-se, calçar os sapatos, receber água para o enxágue—tudo em perfeita harmonia.

Não fosse o fato de ser, naquele romance voltado ao público feminino, o grande antagonista fadado a um fim trágico, Gu Mu quase poderia deliciar-se com tal existência.

Depois de dispensar as criadas, decidido a desafiar o destino da narrativa, Gu Mu convocou novamente o guerreiro da morte.

— Quero que investigue todos os ministros cujos laços com a família da Imperatriz sejam estreitos. Vigie cada um de seus movimentos e, no prazo de três dias, traga-me as informações que conseguir reunir.

Gu Mu listou os nomes—todos aqueles que, segundo as memórias de sua encarnação anterior, tinham sido identificados e eliminados um a um por apoiarem o novo imperador.

Se, de fato, a morte do imperador resultasse de uma conspiração, vigiar esses homens desde já talvez permitisse descobrir indícios ocultos.

O soberano daquela época, abstraindo-se dos assuntos do harém, era um governante esclarecido e virtuoso. Se Gu Mu desejava redimir a reputação do grande vilão do romance e converter-se no protagonista de uma narrativa masculina de transmigração, seu primeiro passo seria transformar a rebelião em uma tentativa de salvar a vida do imperador, cuja existência entrava em contagem regressiva.

Ainda que não conseguisse salvá-lo, ao menos, ao mover essa peça, sua posição estaria assegurada.

— Como ordenar, meu senhor! — respondeu o guerreiro, impassível.

— Vá — disse Gu Mu, acenando displicente, observando o desaparecimento do guerreiro diante de seus olhos.

Contudo, aquilo era apenas o início. Antes de consumar seu plano de mudar o curso da história, Gu Mu precisava ainda desempenhar o papel de figurante nos intrincados dramas do lar.

Após cumprir algumas tarefas, Gu Mu passeava pelo jardim, afastando-se propositadamente dos corredores e pátios onde o movimento era intenso, buscando um canto tranquilo. Ainda assim, não conseguiu evitar o encontro…

De repente, deu de cara com Ma Shishi, a “pequena chá verde”, e sua recém-desposada esposa retornada da morte, Shen Ling. Caminhavam lado a lado, conversando e rindo, em sua direção.

Como podia ser tão azarado?

Gu Mu já evitara os lugares mais movimentados, preferindo o jardim isolado, mas não escapou do destino… Mal sabia ele, que nos romances para o público feminino, o jardim era palco recorrente de intrigas domésticas—principalmente quando figuras coadjuvantes estavam presentes.

Se de aparência eram só sorrisos e palavras doces, na verdade era Ma Shishi, sempre buscando assunto, tentando aproximar-se de Shen Ling. Esta, por sua vez, respondia com frieza, sem demonstrar qualquer emoção em seu belo semblante.

Shen Ling era meia cabeça mais alta que Ma Shishi, aparentando um metro e sessenta e oito, dotada de uma aura de deusa—de modo que, ao seu lado, Ma Shishi, bela por si só, parecia apenas uma donzela delicada.

Apesar do véu que Shen Ling ostentava, os olhos que deixava à mostra, a fronte alva e a pele nívea denunciavam uma beleza capaz de arruinar reinos. Mas o antigo senhor da casa, enfeitiçado pela pequena chá verde, jamais olhara Shen Ling com real atenção, sendo incapaz de recordar tais detalhes.

— Ai! — exclamou de súbito Ma Shishi, tropeçando e lançando-se aos braços de Gu Mu.

Shen Ling permaneceu impassível ao lado, seu olhar límpido e encantador mesclando-se a um sorriso enigmático.

A fragrância delicada e a maciez feminina estavam prestes a tombar-lhe no colo, enquanto a esposa recém-casada assistia à cena com um ar de quem aguarda o desenrolar do espetáculo.

No impulso, Ma Shishi, ao perder o equilíbrio, levantou o rosto, olhando-o com expectativa e murmurou, lânguida:

— Senhor, me acuda…

Gu Mu sempre acreditara que apenas nas histórias masculinas as donzelas se atiravam nos braços do protagonista. Não esperava que, nos romances femininos, houvesse tamanha iniciativa.

Contudo, esse tipo de "iniciativa" era armadilha. Se a acolhesse, provavelmente terminaria em tragédia.

Lançou um olhar a Shen Ling, cuja expressão era de um frio cortante.

A esposa legítima estava observando!

Gu Mu quis desviar-se, para então segurar Ma Shishi pela gola e erguê-la, mas a moça, rápida como era, percebeu-lhe o movimento e agarrou-se ao cinturão de Gu Mu.

Assim, caiu, fingindo desamparo, diretamente no colo de Gu Mu, escondendo o rosto com um lenço, ruborizada:

— Obrigada, senhor…

Não era adversária para ela…

— Chega. Não disseste que querias ir aos meus aposentos ver as joias que adquiri? Vamos. — Shen Ling passou friamente por Gu Mu.

Pequenos incidentes como aquele não surpreendiam alguém que já vivera uma vida inteira.

Longe de ser magnânima, Shen Ling apenas queria que ambos experimentassem o auge da ventura, para depois perder tudo, restando-lhes apenas o desespero, desejo de viver e de morrer, sem obter nenhum dos dois.

Que malícia poderia ela nutrir? Apenas queria que ambos conhecessem o extremo da dor.

Como, no passado, o senhor não demonstrara afeição por Shen Ling, sequer a instalara na residência principal, apesar do casamento legítimo. Arrumara-lhe, sob pretexto de reformas e influências de um sacerdote, um amplo pavilhão no interior do palácio, reservado exclusivamente para a consorte.

Ainda que partilhassem o título de esposos, mal se viam, estranhos que eram. Shen Ling, filha de um chanceler, mesmo assim residia no maior dos pavilhões, batizando-o de Pavilhão da Queda da Neve.

— Já que estamos casados, por que não retiras o véu e nos mostramos sem segredos? — sugeriu Gu Mu, sentado no quiosque do Pavilhão da Queda da Neve, saboreando o chá e admirando a beleza diante de si.

Meio oculta pelo véu, sua aura excepcional e os olhos magníficos faziam-na parecer uma ninfa etérea, despertando em Gu Mu uma curiosidade quase dolorosa.

Afinal, que rosto se escondia sob o véu?

— Mostrar-me… sem reservas? — Shen Ling sorveu um gole de chá, ereta e fria. — Tem certeza?

Considerando tudo o que o antigo senhor lhe fizera, Gu Mu deveria sentir-se constrangido ao proferir tais palavras. Mas, não sendo ele o verdadeiro responsável, assentiu com naturalidade:

— Já somos marido e mulher. Bela ou feia, jamais te desprezarei.

Shen Ling sorriu, os olhos curvando-se como luas crescentes—um espetáculo de beleza. Contudo, havia naquele sorriso um toque de indiferença.

Nesse momento, Ma Shishi intercedeu:

— Ling’er, já que o senhor pediu, por que não lhe mostras o rosto?

— Não é, senhor? — Gu Mu recebeu de Ma Shishi um olhar insinuante.

Por que sentia uma premonição funesta?

Shen Ling hesitava, visivelmente contrariada.

Ma Shishi insistiu, aumentando a pressão.

Shen Ling balançou a cabeça, demonstrando relutância.

Sem mais rodeios, Ma Shishi estendeu a mão e arrancou o véu de Shen Ling.

Uma beleza de tirar o fôlego revelou-se diante de Gu Mu.

Assim, compreendeu que os versos de Li Bai—“Nuvens vestem teu corpo, flores invejam teu rosto; a brisa da primavera realça teu brilho”—não eram mero exagero.

Compreendeu que o mundo podia, sim, abrigar tal perfeição.

Mas um grito incrédulo interrompeu o devaneio de Gu Mu.

— Não pode ser! Não pode ser! — Ma Shishi recuou um passo, lívida. Sabia que era tarde demais—o senhor vira.

Cobriu a boca, como vítima de uma injustiça atroz. Essa era a essência da pequena chá verde: mesmo quando feria os outros, parecia estar sendo ferida.

Questionou, entre lágrimas:

— Não tinhas tomado o chá?